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Radio Viseu Cidade Viriato

quarta-feira, 7 de abril de 2010

"O sucesso do comandante é também o êxito dos seus militares...


Diário de Viseu (DV): Quando começou o seu serviço na Guarda Nacional Republicana?
Amaral Dias (AD): Tenho cerca de 26 anos de serviço no activo, na Guarda Nacional Republicana sendo que, desde 21 de Dezembro de 1998, com curtos interregnos para formação e promoção, passei estes já longos anos essencialmente a comandar a GNR no distrito de Viseu, com passagens pelos Destacamentos de Santa Comba Dão e Viseu. Fui 2.º comandante do Grupo e comandante do Grupo de Janeiro de 2002 a Janeiro de 2009, altura em que assumi o Comando da Unidade - Comando Territorial de Viseu. Dedico a minha carreira às populações que tive a honra e o privilégio de servir.

DV: Qual é o balanço que faz dos anos em que esteve à frente da GNR de Viseu?
AD: Todos estes anos foram de grande realização pessoal e profissional. Também tentei desenvolver uma acção de comando atenta, diligente e eficaz, que tivesse em consideração o primado do serviço e conciliando, dentro do possível, os interesses dos militares. Sei que tomei decisões que por vezes, afectaram as intenções e expectativas dos militares, mas foram tomadas após análise e ponderação de diversos factores mas sempre em consideração do melhor para a instituição e para as populações.
Sei que não fiz tudo por constrangimentos de ordem pessoal, institucional e exógena. Valeu a pena doar-me em benefício da segurança e tranquilidade das populações. Travei combates, termino a carreira, prossigo com confiança no futuro de uma Guarda com créditos bem firmados, humana, solidária e de confiança.

DV: Quais são os momentos que mais destaca pela positiva e a negativa? Como recorda as manifestações em Canas de Senhorim e em Bigorne?
AD: Os momentos de alteração da ordem pública em Bigorne e Canas de Senhorim foram situações de grande pressão e esforço policial intenso, onde tiveram que imperar grande capacidade de comando, coragem, disciplina e obediência na acção, rigor do dispositivo com emprego gradual de meios, muita sensatez, sangue frio e proporcionalidade. Apesar das dificuldades, ultrapassaram-se estas situações com o mínimo de dados colaterais e sempre com respeito pela dignidade humana e pelos direitos, liberdades e garantias dos cidadãos.

DV: Como conseguiu gerir a tão falada falta de efectivos em Viseu?
AD: A questão de recursos humanos é uma questão que tem que ser encarada de forma racional e equilibrada, face à sua escassez. Deste modo, houve que direccionar este esforço para as áreas com maior conflitualidade social e maior incidência do crime, definindo prioridades e reforçando alguns Postos ocasional ou sazonalmente, e até, recorrendo ao patrulhamento por agrupamento de Postos.

DV: Como lidou com as diversas reestruturações que foram feitas na GNR ao longo dos últimos anos?
AD: A reorganização da Guarda resultou dum imperativo legal e, portanto, os militares da Guarda, enquanto "Soldados da lei", obedientemente, tiveram que abraçar com firmeza e determinação esta complexa tarefa. Estas reestruturações institucionais, sendo uma ruptura ou cisão com o passado mais ou menos longo, no caso da Guarda já centenário, causaram grande impacto interno e externamente pelas expectativas criadas. No caso especifico de Viseu, houve que colocar a "locomotiva" em marcha, de forma paulatina, conjugando e articulando esforços, constituindo uma equipa de comando concertada e responsável que acautelasse a orgânica estrutural, a afectação dos recursos disponíveis, minimizando os reflexos/danos internos e continuando a proporcionar uma resposta policial de segurança e resposta atempada, adequada e eficaz aos cidadãos. A obra está incompleta mas caminhamos no rumo certo, prosseguindo a optimização, rentabilização e, dentro do possível, a excelência.

DV: Em que condições deixa a GNR de Viseu para o seu sucessor?
AD: O Comando Territorial de Viseu, através dos briosos militares que o constituem, vem cumprindo com competência, abnegação, responsabilidade, profissionalismo, espírito de sacrifício e profundo sentido de missão ao serviço da causa pública. Parto com a consciência do dever cumprido e confio na capacidade, coesão, forte motivação, afinco, determinação e qualidade dos homens que com denodo servem e servirão, doando-se aos outros com proximidade, humanidade, fraternidade, solidariedade, e dentro da legalidade. Algo de útil se fez, muito há ainda a fazer. As tarefas nesta profissão nunca estão acabadas. Assim, há trabalho árduo para o novo Comandante e para os seus subordinados. Estou confiante no êxito colectivo em prol dos nossos concidadãos. O sucesso do Comandante é também o êxito dos seus militares pois a eles também se deverá. Serei substituído por um Oficial bom camarada, amigo e competente.

DV: O que vai fazer agora?
AD: Agora, vou dedicar-me mais à minha família e à minha vida privada, continuando a conviver com a legalidade, dada a minha carreira e formação na área do Direito, e mantendo uma conduta activa e útil, agradecendo aos meus militares e civis, às instituições e à população em geral toda a colaboração, considerações, estima e amizade que me dispensaram. Espero ter tempo para lhes retribuir na medida do vosso merecimento.

DV

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