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Radio Viseu Cidade Viriato

segunda-feira, 29 de junho de 2009

H1N1 - actualizacao 29 Junho 2009

Paises contaminados com H1N1


Paises contaminados com H1N1 - AFRICA

1

Egipto

50

2

Marrocos

11

3

Cabo Verde

3

4

Costa do Marfim

2

Etiopia

2

Tunisia

2

Argelia

2

5

Africa do Sul

1

TOTAL

66

Paises contaminados com H1N1 - AMERICA

1

Estados Unidos

27717

2

Mexico

8279

3

Canada

7775

4

Chile

5186

5

Argentina

1488

6

Brasil

452

7

Panama

403

8

Peru

360

9

Nicaragua

277

10

Costa Rica

255

11

Guatemala

254

12

El Salvador

226

13

Uruguai

195

14

Venezuela

172

15

Bolivia

126

16

Equador

125

17

Honduras

118

18

Republica Dominicana

108

19

Colombia

88

20

Paraguai

85

21

Trinidad e Tobago

53

22

Cuba

34

23

Jamaica

21

24

Suriname

11

25

Barbados

10

26

Ilhas do Caimao

9

27

Bahamas

4

28

Curacao

3

29

Antiqua e Barbuda

2

Martinica

2

30

Bermuda

1

Dominica

1

Sant Maarten

1

Ilhas Virgens Britanicas

1

TOTAL

53842

Paises contaminados com H1N1 - ASIA

1

China

1442

2

Japao

1212

3

Filipinas

861

4

Tailandia

774

5

Israel

469

6

Singapura

315

7

Coreia do Sul

202

8

Malasia

112

9

Vietname

84

10

Arabia Saudita

69

11

India

64

12

Taiwan

61

13

Kuwait

30

14

Brunei

29

15

Libano

25

16

Jordania

18

17

Baren

15

18

Qatar

10

Iraque

10

19

West Bank e Gaza

9

Sri Lanka

9

Emiato Arabes Unidos

9

20

Indonesia

8

21

Yemen

6

22

Nepal

3

Laos

3

Oman

3

23

Irao

1

Bangladesh

1

TOTAL

5854

Paises contaminados com H1N1 - EUROPA

1

Reino Unido

5939

2

Espanha

541

3

Alemanha

366

4

Franca

235

5

Holanda

118

6

Italia

112

7

Grecia

86

8

Suecia

67

9

Suica

49

10

Dinamarca

44

11

Belgica

43

12

Irlanda

39

13

Noruega

31

14

Finlandia

26

15

Chipre

25

16

Romenia

24

17

Polonia

14

18

Estonia

13

Portugal

13

19

Austria

12

20

Republica Checa

9

Ilhas do Canal da Mancha

9

Eslovaquia

9

21

Hungria

8

22

Bulgaria

7

23

Servia

5

24

Islandia

4

Luxemburgo

4

Eslovenia

4

25

Monaco

1

Montenegro

1

Ilha do Man

1

Letonia

1

Ucrania

1

TOTAL

7861

Paises contaminados com H1N1 - EURASIA

1

Turquia

27

2

Russia

3

TOTAL

30

Paises contaminados com H1N1 - OCEANIA

1

Australia

4038

2

Nova Zelandia

587

3

Fiji

2

Vanuatu

2

4

Samoa

1

Papua Nova Guine

1

Polinesia Francesa

1

TOTAL

4632


Mortos confirmados com H1N1



Mortos confirmados - AMERICA

1

Estados Unidos

127

2

Mexico

116

3

Argentina

23

4

Canada

21

5

Chile

7

6

Colombia

2

Republica Dominicana

2

Guatemala

2

7

Honduras

1

Costa Rica

1

TOTAL

302

Mortos confirmados - ASIA

1

Filipinas

1

TOTAL

1

Mortos confirmados - EUROPA

1

Reino Unido

3

TOTAL

3

Mortos confirmados - OCEANIA

1

Australia

7

TOTAL

7


H1N1 - Portugal no total 13 casos...

Últimos dois casos são portugueses que estiveram em Palma de Maiorca e Ibiza. Há mais quatro suspeitas em investigação. Ministra diz que “vão aparecer progressivamente mais casos”.


Estão confirmados 13 casos de Gripe A em Portugal, depois de serem positivos os testes ao vírus H1N1 feitos a dois portugueses que estiveram em Palma de Maiorca e Ibiza, Espanha.


Trata-se de um jovem de 21 anos e uma criança de três anos que são os primeiros casos de doentes portugueses que foram infectados no espaço europeu, já que todos os outros tinham sido infectados no continente americano.


Há mais quatro casos em investigação, disse a ministra da Saúde, Ana Jorge, em conferência de imprensa ao início da tarde, em Évora, onde decorre a XI Conferência Ibero Americana de Ministros da Saúde.


Segundo a governante o estado de alerta em Portugal não vai sofrer qualquer alteração, uma vez que, “todos os serviços e profissionais de saúde sabem o que fazer”.


Se após o regresso de uma viagem ao estrangeiro surgirem sintomas, Ana Jorge voltou a salientar a importância de os portugueses contactarem a Linha Saúde 24 (808242424), de forma a evitar novos contágios.


“Vão aparecer sucessivamente mais casos”, reconheceu a ministra da Saúde. Mas número de casos confirmados “ainda não nos preocupa demasiado”.


Uso de aparelhos de monitorização permitiria poupar 23% dos gastos do Estado com tratamentos...

Mais de um terço dos hipertensos diagnosticados nos centros de saúde afinal não o são. E acabam por seguir um tratamento desnecessário. Ora, se o Estado apostasse na monitorização ambulatória, pouparia 23% dos gastos.


É a chamada síndroma da "bata branca". A ansiedade resultante da ida ao consultório e da presença do médico e a medição casual da hipertensão arterial, durante a consulta, juntam-se para construir um diagnóstico de hipertensão. Que leva a um tratamento que, em casos de hipertensão arterial leve a moderada, custa, em média, 0,65 euros por dia. A que se soma a necessidade de consultas recorrentes, a um custo de 41 euros para o Estado. Mais análises frequentes a cerca de 15 euros.


Ora, segundo um estudo desenvolvido no Centro de Saúde de S. João, de todos os diagnosticados como novos hipertensos, 38,7% são estes "hipertensos de bata branca" (HBB). E nem sequer apresentam riscos elevados de doença cardiovascular. O trabalho, coordenado pelo médico e docente Paulo Pessanha, concluiu mesmo que, se usasse a "monitorização ambulatória da pressão arterial de 24 horas" (MAPA), o Estado pouparia 22,6% do que gasta com a hipertensão.


O MAPA foi, de resto, o método utilizado para despistar os HBB entre os utentes do centro de saúde de S. João, com aparelhos que a unidade (que depende do Ministério do Ensino Superior, e não do da Saúde) conseguiu através de patrocínios e ganhos em gestão. Porque o Ministério da Saúde não paga estes equipamentos: custam de três mil euros, mas podem ser usados indefinidamente. E consistem num processo muito simples. O utente usa uma braçadeira durante 24 horas, mantendo a sua actividade diária normal (incluindo exercício e sono).


"Cerca de 38% eram HBB, que iríamos medicar se não tivéssemos estes aparelhos", explicou Paulo Pessanha ao JN. Estes utentes precisam apenas de monitorização, como qualquer outro, com "uma consulta e umas análises por ano". Isto quando um verdadeiro hipertenso precisa, no mínimo, de três.


Uma vez confirmada a taxa de HBB descrita internacionalmente, os investigadores procuraram avaliar o risco cardiovascular dos HBB. Estudaram factores como o sexo, a idade, a obesidade, o tabagismo, a dislipidemia, a diabetes e a história familiar: E concluíram que os HBB nem sequer são doentes de tanto risco quanto os verdadeiros hipertensos. "Daí a benignidade da situação", diz Paulo Pessanha.


"O problema é que o Serviço Nacional de Saúde não tem destes aparelhos, nem comparticipa o seu uso", lamenta o médico, lembrando que cada exame MAPA fica por 65 euros (uso do aparelho 24 horas e relatório do exame). Mas é o meio de diagnóstico mais rigoroso que existe. E, com os aparelhos à disposição gratuitamente, "poupa-se em medicação, em exames e em consultas". Poupa-se quase 23% em dois anos, contas feitas a mil utentes diagnosticados sem seguimento MAPA (ou seja, incluindo os HBB) e para uma terapêutica para hipertensão ligeira a moderada. "Um hipertenso grave toma três vezes mais medicação". A sugestão que fica deste trabalho - galardoado com uma menção honrosa nos prémios Bial 2008 - é a de que a aquisição, pelo Estado, de aparelhos de MAPA tem uma "relação custo/benefício favorável".


Pensões são muito diferentes nas regiões no país. Em Bragança são metade das de Lisboa...

Portugal tem 1,8 milhões de pobres. Por coincidência, é esse o número de reformados existentes no país e cuja pensão média é de 385 euros. Mas uns serão mais pobres do que outros. Só os de Lisboa e Setúbal ganham, em média, acima do salário mínimo.


No outro lado da lista está Bragança, cuja pensão média (272€) é quase metade da paga na capital (504€). São os dois extremos de uma realidade tantas vezes repetida em Portugal: o país não é homogéneo e se, por norma, as reformas são baixas, o certo é que numas zonas são mais miseráveis do que noutras.


Os números são aproximações feitas om base nos dados da Segurança Social, mas deixam claras as disparidades regionais: Bragança é o concelho com as mais baixas reformas. Aliás, fazendo pontinhos num mapa, a região Norte surge pintada a vermelho: depois de Bragança vêm as vizinhas Vila Real e Guarda que, colada a si, tem Viseu em quarta posição. Os lugares seguintes são ocupados pelos Castelos, o Branco e o de Viana.


Só depois surgem os concelhos do Alentejo, Açores e Algarve. E no topo? Lisboa e Setúbal, os únicos em que a pensão média está acima do salário mínimo nacional, este ano fixados nos 450 euros. O Porto está em terceiro lugar. Em média, cada um dos seus reformados ganha 422 euros.


Os valores na base deste trabalho são uma média para cada concelho. Em Bragança, há reformas milionárias (não existem só na Função Pública...) e em Lisboa haverá quem ganhe a pensão social. Mas o valor médio ajuda a perceber o panorama de cada região. E só em quatro concelhos a pensão do reformado médio permite-lhe ultrapassar o limiar de pobreza (360 euros). São eles Lisboa, Setúbal, Porto e Aveiro. Considerando todo o país, o valor médio da reforma dos beneficiários da Segurança social é de 385 euros.


O que permite ter melhor qualidade de vida, os 259 euros ganhos pelas mulheres de Bragança ou os 695 euros atribuídos aos homens de Lisboa? A resposta não é óbvia, porque viver no Interior tem inúmeras vantagens. Logo porque, disse Agostinho Moreira Jardim, representante em Portugal da Rede Europeia Anti-Pobreza, a rede de vizinhos, amigos e amília é mais entrelaçada do que nas cidades grandes. Em sítios como o distrito de Bragança, diz, "a qualidade de vida é melhor do que a urbana, apesar das desvantagens" da distância dos equipamentos de saúde, culturais, de lazer, entre outros.


E a agricultura de subsistência, acrescentou Lino Maia, da Caritas Diocesana. "Boa vizinhança, família e quintais: estes três factores permitem ter uma qualidade de vida melhor".


Nas cidades, concordam, é mais comum encontrar casos de miséria extrema e abandono, apesar do crescente número de equipamentos sociais.


E também de pessoas com vergonha de pedir ajuda, diz Moreira Jardim, lembrando um idoso que foi encontrado morto já em decomposição, no Porto, na semana passada. "Dificilmente tinha acontecido o mesmo numa aldeia ou cidade pequena. Na cidade, a solidão é muito mais densa", disse.


Longe de ser perfeita, dizem, a situação tem vindo a melhorar. Com a ajuda de apoios públicos, como a recuperação de casas degradadas, em Trás-os-Montes e de instituições de solidariedade privadas, o nível de pobreza tem vindo a baixar. Mas ainda há muito a fazer, lembram.


Dotar a rua de passeios mais largos e dar maior visibilidade...

A Câmara Municipal de Viseu adjudicou a requalificação da Avenida Alberto Sampaio. Aquela artéria vai sofrer intervenções, num investimento previsto para um milhão e duzentos mil euros.
As obras vão incidir no piso, iluminação e no mobiliário urbano. "Vamos fazer passeios mais largos, pois a ideia é possibilitar mais espaço para os peões", recordou o presidente da autarquia, Fernando Ruas.


A intervenção na Avenida Alberto Sampaio vai também provocar alterações no trânsito. A circulação automóvel só vai ser possível nos dois sentidos entre a Praça D. João I e o cruzamento da Rua dos Casimiros, e um sentido deste local (junto às Escadinhas) até ao Rossio.


As obras são para começarem o mais brevemente possível e, segundo Fernando Ruas, irá ser feita mais uma reunião com os residentes.


A requalificação da Avenida Alberto Sampaio insere-se nas intervenções que estão a ser feitas no centro da cidade, nomeadamente no Rossio.


Requalificações que, de acordo com a autarquia, visam oferecer melhores condições para os peões, para os quais se destina grande parte da intervenção. A requalificação insere-se no âmbito de um estudo realizado por Álvaro Seco.


Mercado Municipal
A autarquia anunciou ainda a realização de obras para o Mercado Municipal 21 de Agosto. Este equipamento vai ter uma "grande praça" e as entradas serão alargadas. "Vamos para já requalificar as penetrantes e depois adaptar o espaço às necessidades", lembrou o autarca viseense, admitindo que ao Mercado falta visibilidade. "As entradas estão muito escondidas", sustentou.

domingo, 28 de junho de 2009

Com a morte de Michael Jackson, extingue-se o ícone de uma geração cujos modos de fruição musical foram radicalmente modificados pelo videoclipe...

Rara vez a morte de um homem terá suscitado comoção tamanha como o passamento de Michael Jackson.


Porque o cantor norte-americano, cujas bizarrias terminais ofuscaram injustamente uma carreira longa e sólida, estava para lá da dimensão humana - o artista era, antes de mais, um ícone transgeracional à escala planetária, reconhecível desde a caverna mais recôndita do Indu Kush medieval até aos confins selvagens da Patagónia. Porque tudo o que a ele respeita é aferido à escala da desmesura: foi um dos poucos artistas a entrarem duas vezes no Rock Hall Of Fame, averbou 19 Grammy a solo e seis com os Jackson Five; alçou 41 canções ao cume dos top internacionais e registou vendas globais de 750 milhões de discos! Jamais alguma estrela cintilou tão intensamente no firmamento do universo Pop.


O êxito começou a ser construído cedo, é certo - com 13 anos, acolitado pelos irmãos Jackson, Michael já colocava quatro músicas nos top internacionais - mas será em 1982, com o lançamento de Thriller, que aquele explode. Em larga medida, graças à projecção proporcionada por um canal de televisão nascido um ano antes com o revolucionário conceito de difundir videoclipes: a MTV. Depois dele, a vida de Michael Jackson nunca mais foi igual. Nem a da geração que lhe foi contemporânea e tomou o nome por empréstimo nos manuais de Sociologia. É ela que chora, mais do que qualquer outra, a morte do rei da Pop, que deixa só nesse trono duvidoso a rainha, Madonna. Um e outra foram o produto mais conseguido da MTV. Depois deles, haverá capacidade de construir ícones globais e duradouros? E que impacto teve a MTV nos modos de fruição da música popular ? Será possível que uma canção sobreviva, hoje, à imagem do artista?


Thriller é um disco de superlativos: a chancela Epic (Sony Music) cita 104 milhões de cópias vendidas. O disco, que ganhou oito Grammys, ficou 80 semanas no Top 10 dos EUA (37 semanas em primeiro lugar), onde colheu 27 discos de platina e foi o único álbum que liderou as vendas durante dois anos consecutivos (1983 e 1984). Foi disco de platina ou diamante em 16 países, entre eles Reino Unido, França, Japão e Portugal (com meio milhão de espécimes), e, das nove músicas que o compõem, sete foram convertidas em single.


Mas Thriller marcou o universo da música Pop de forma mais profunda, estrutural até, quando foi associado à MTV. Significativamente, o canal foi lançado, a 1 de Agosto de 1981, com o videoclipe Video Killed the Radio Star, dos The Buggles. Com uma programação restrita aos vídeos das músicas mais difundidas pelas rádios, impunha-lhes como limite máximo a duração de três minutos, que foi amplamente excedido pelo vídeo de Thriller (com 14 minutos), um produto completamente inovador à época.


Ao convidar John Landis para realizá--lo, Jackson estabeleceu um novo padrão para o formato - até então, os videoclipes custavam em média 100 mil dólares; Thriller custou 500 mil, recorrendo a efeitos especiais de ponta nunca vistos - provocando efeitos nos consumidores de música Pop que a indústria fonográfica jamais imaginara. Porque a repetida passagem de Thriller na MTV - Jackson foi o primeiro cantor afro-americano a passar regularmente naquele canal - mudou radicalmente as formas de fruição musical, gerando fenómenos globais como Madonna e Michael Jackson, ídolos capazes de levar estádios ao delírio com produções cénicas faraónicas e estabelecer padrões estéticos que foram assimilados por toda uma geração. Jackson foi um dos seus emblemas por ter sido não apenas músico, mas também imagem. E isso mudou tudo.


Tozé Brito, músico e produtor, recorda ainda a época, "pelo final dos anos 1960, início dos 1970, em que a única imagem do artista era a foto na capa do disco". Nessa altura, "a maioria das vezes, não havia uma imagem associada às canções, não se fazia ideia absolutamente nenhuma de quem cantava, da estética associada à canção". Todavia, "a partir da MTV, há êxitos que acontecem só por terem grandes videoclipes, cujo impacto era significativo", afirma.


Afinal, aquela foi a década da criação dos ícones globais de um novo tipo, conforme assinala Clara Sarmento: "Os anos 1960 e década seguinte geraram ícones com uma mensagem política e ideológica muito forte; na década de 1980, porém, à mensagem ideológica sobrepõe-se o primado da imagem, é a era do ídolo das multidões que se instala na longa duração propiciada por toda uma estruturação semiológica, designadamente com a MTV", diz a docente de Estudos Interculturais do ISCAP.


Clara Sarmento concorda, também, que a relação com a música foi alterada pela inclusão da imagem, gerando um novo produto: a música física. "Quem é que está a ouvir a Beyoncé se estiver a olhar para ela?", interroga-se aquela analista, com justificado sarcasmo. Será mais fácil recordar--lhe o corpo do que a voz...


O culto da imagem associada à música agudizado pela MTV ficou expresso, de resto, com o advento dos neo-românticos (ABC, Duran Duran, Spandau Ballet e Orchestral Manouvers In The Dark, entre outros) e a sua imagética sofisticada, barroca até, desses percursores das boys band - agremiações de indivíduos segundo padrões de estética corporal que podem cantar.


A essa relação dialéctica entre a música e a imagem ninguém ficou imune, nem mesmo aqueles que, aparentemente, afirmavam querer combatê-la: "Na geração MTV, houve também um movimento de contra-imagem mas que visava, isso sim, a construção de uma outra imagem, criando toda uma moda alternativa que, na verdade, era tão comerciável como a mainstream", recorda Sarmento. E, neste âmbito, é pradigmático o ar negligé preocupado dos góticos, com bandas como Siouxsie & e Banshees ou os The Cure...


Entretanto, quase tudo mudou nos anos 1990. As novas tecnologias da informação trouxeram a vertigem da imagem instantânea e replicada até à exaustão, gerando um enorme déjà vu. Se a década de 1980 cria ídolos, modas e imagens que permanecem pelo seu conceito pioneiro, em que o Thriller de Jackson ou Like a Virgen de Madonna comportam o choque e a novidade, na década seguinte dilui-se, não só porque já tudo é permitido, mas também porque ocorre a fragmentação da imagem pela multiplicação dela, alega Sarmento.


A qual nota ainda que, também nesta mudança de paradigma, Jackson foi icónico, mas pelos piores motivos: "A ironia com o próprio Michael Jackson, que é um exemplo perfeito da desaquação aos novos tempos, é que não conseguiu a transição entre o início da importância da imagem da geração MTV e o primado absoluto da imagem nos anos 90, tornando-se numa caricatura dele próprio. Nesse sentido, ele é um ícone irónico, ao contrário de Madonna, que se reinventa perfeitamente", diz.


E as tentativas de obstar ao primado da imagem acabaram por ser consumidas por ela própria, como se percebeu com os Nirvana do malogrado Kurt Cobain. O seu empenho em recusar o culto da imagem acabou, outrossim, por se constituir como moda institucionalizada: o grunge das camisas de flanela e cabelo revolto.


Com a Internet (difusão) e a massificação dos meios de gravação digital (produção), acentuou-se o paradoxo: a quantidade massiva de imagens em circulação levou também à sua fragmentação, tornando difícil, senão impossível, gerar um substituto que ocupe o trono vacante da Pop. "Hoje em dia, para esta nova geração entre os 10 e os 18 anos, é indissociável a música da imagem do artista. Aliás, fenómenos de popularidade como os Tokyo Hotel só existem graças à imagem, porque sem ela a sua música não sobreviveria", garante Tozé Brito, não sem assinalar que se trata, todavia, de bandas votadas ao efémero.


E sem legado. "Não podemos ser nostálgicos de algo virtual", repara Sarmento, sublinhando que a diferença da geração MTV para a geração Internet é que aquela cultivava a imagem mas adquiria o suporte físico da música, ao passo que esta consome imagens e músicas virtuais que se sobrepõem umas às outras num fluxo digital permanente.


Numa época em que, virtualmente, todos podem ser produtores, difusores e consumidores ao mesmo tempo e no mesmo lugar - está tudo na Internet, ao alcance de um clique -, o aumento exponencial da oferta é inversamente proporcional à possibilidade do advento de um novo Jackson.


"Dantes, tínhamos uns milhares de artistas, poucos; hoje, e só no MySpace, temos cerca de oito milhões de potenciais artistas", contabiliza Brito, ressalvando: "Mas isso também implica que seja mais difícil algum destacar-se. Por muito talento que tenha, isso não faz da Mia Rose - novo fenómeno português da Internet - uma artista maior do que a Mariza, que nunca andou na Internet mas que, todavia, é cantada no Mundo inteiro". Falta-lhe a aposta de uma editora que a catapulte, trabalhe o talento e lhe dê... uma imagem consistente.


Não obstante o seu cepticismo, a professora do ISCAP admite a possibilidade de construção icónica de um artista nos dias que correm. Para isso, no entanto, "será necessário dotá-lo de uma narrativa pelo recurso a múltiplas plataformas", diz, dando como exemplo os D'Zert. "A banda não existia apenas nos palcos ou nos discos; existia também fora deles, na série Morangos com Açúcar, permitindo aos seus fãs a ilusão do contacto diário, gerando assim um ídolo com uma vida".


Ainda assim, a anos luz desse astro maior que foi Michael Jackson, o símbolo por excelência da geração MTV, que se empenha agora em recuperar os sons e as imagens dessa década seminal, suscitando uma onda revivalista dos anos 80 que contamina todos os escaparates da cultura contemporânea. Numa ilustração eloquente de uma tradição antiga nas exéquias dos monarcas, como se bradasse: "O rei está morto. Viva o rei". Não haverá outro.


Há suspeitas de homicídio e a PJ ouviu várias pessoas. Vítima vinha de bar e regressava a casa...

O cadáver de um jovem de 25 anos foi descoberto numa viatura carbonizada, na madrugada de sábado, no Cartaxo, Santarém. Homicídio é uma hipótese encarada pela Polícia Judiciária, que está a investigar e já ouviu várias pessoas.


O caso surgiu na sequência de um telefonema para a PSP do Cartaxo, cerca das 4.30 horas, dando conta de um incêndio numa zona da Estrada Nacional 3 (EN3). A PSP avisou a GNR, uma vez que o incidente estava a acontecer na sua área de intervenção. Ao mesmo tempo, foram avisados os bombeiros do Cartaxo.


Tratava-se de um carro (um Volkswagen Golf), que estava a arder num caminho de terra batida que dá acesso à EN3. Só quando os bombeiros já tinham praticamente extinto as chamas é que descobriram no interior do carro um cadáver carbonizado.


A GNR chamou a PJ e já durante a manhã o corpo foi identificado como sendo Hélio Cruz, de 25 anos, feitos na última quinta-feira, e que residia em Casais de Lagartos, Cartaxo, a 600 metros do local onde foi encontrado morto.


"Era o meu filho", contou Fernando Cruz, de 55 anos, recordando que a última vez que viu o filho com vida foi "pouco antes da meia-noite". "Estive com ele num café. Ele estava bem e depois foi com amigos para um bar em Pontevel", recorda.


O carro pertencia ao irmão da vítima, mas Hélio conduzia-o com frequência, como aconteceu nessa noite. Terá saído de Pontevel, cerca das 4.00 horas, para se dirigir para casa, ao volante do Golf.


As autoridades acharam estranho que o cadáver tenha sido encontrado no lugar do pendura e mais estranho ainda que estivesse com as costas apoiadas na porta, uma perna no banco e a outra caída no fundo do veículo. Por outro lado, o carro estava imobilizado numa estrada de terra batida, onde praticamente só há espaço para a passagem de um veículo.


Vários amigos de Hélio Cruz foram já ouvidos pela PJ, no sentido de esclarecer o que realmente aconteceu nas horas que antecederam a morte do jovem. Fernando Pé Curto, que conhece bem os pais da vítima, assim como o próprio Hélio, salientou ao JN que "ele era uma jovem como outro qualquer". "Tinha as suas coisas, mas não dava problemas a ninguém. Isto é tudo muito estranho", afirma.


A vítima era operário numa fábrica da zona de Azambuja há nove anos, segundo um amigo e colega.


A autópsia deverá ser realizada amanhã.


Definidos nove serviços para atender turistas e residentes ao longo da linha Sul de praias...

O plano está feito e a divulgação foi já encetada pela Administração Regional de Saúde do Algarve: se a pandemia atacar ali no Verão, há centros próprios para atender quem se queixe de gripe e serviços hospitalares à parte.


Mais de um milhão e meio de pessoas, entre turistas e residentes, vão estar no Algarve em cada mês, no período de Julho a Setembro. Aquilo que em épocas balneares normais já constitui uma sobrecarga para os serviços de saúde pode tornar-se um pesadelo para estes e para doentes se a nova gripe ganhar terreno.


As Administrações Regionais de Saúde têm vindo a ajustar os Planos de Contingência para a Pandemia de Gripe A(H1N1), em consonância com as autoridades nacionais de saúde e os critérios da OMS (Organização Mundial de Saúde). E o caso do Algarve, zona de acolhimento de milhões de visitantes, muitos chegados dos mais variados pontos do Mundo, levou à definição de critérios de resposta e prevenção ajustados à realidade própria.


Assim, estão distribuidas responsabilidades de decisão e actuação, que envolvem um Comité Regional e um Grupo Operativo. Está também definido um Plano de Acção, em que são chamados a participar, a diversos níveis, desde os Serviços Distritais de Protecção Civil às empresas. Aliás, ontem teve lugar um encontro da ARS com representantes da Associação de Hotéis e Empreendimentos Turísticos para esclarecer dúvidas e difundir procedimentos.


Há comportamentos individuais, dos consumidores-turistas e do pessoal dos empreendimentos e até dos trabalhadores da saúdeque podem servir de barreira à propagação do vírus. Essa possibilidade será acentuada em folhetos que as autoridades sanitárias vão distribuir em elevado número e em locais diversificados. A começar no aeroporto de Faro e no porto de Portimão. Nesses esclarecimentos há temores a afastar: pode-se "apanhar gripe" de uma gotícula de saliva ou de um puxador de porta contaminado, mas a água potável saída das torneiras está a salvo para beber, dada a desinfecção por cloro, o mesmo acontecendo com a água das piscinas ou dos "spas" , das fontes ou parques aquáticos.


O Plano de Contingência prevê locais de internamento alternativos, se ficar esgotada a capacidade instalada nos serviços hospitalares também destinados aos doentes com a nova gripe. Nos dois hospitais em que pode haver internamento será disponibilizado um total de cinco quartos de isolamento com pressão negativa.